UEHP alerta que a falta de recursos humanos é uma ameaça à qualidade da Saúde

UEHP alerta que a falta de recursos humanos é uma ameaça à qualidade da Saúde

O Eurodeputado Sebastião Bugalho foi o anfitrião e primeiro orador da apresentação da nova edição do Factbook da União Europeia de Hospitalização Privada (UEHP), que se realizou, a 19 de novembro, no Parlamento Europeu, em Bruxelas. A dificuldade de recrutamento de recursos humanos na área da saúde foi apontada como um dos problemas que atinge a globalidade dos países europeus e que pode colocar em risco a qualidade dos serviços prestados.

Este documento, regularmente promovido pela UEHP, faz um ponto de situação da atividade do setor privado da Saúde na Europa, destacando os principais indicadores de qualidade, acessibilidade, inovação e atividade de um setor, que é já um dos maiores empregadores da EU. O Factbook 2025 é, pela primeira vez, apresentado por um eurodeputado português e é também o primeiro a ser elaborado na vigência de Oscar Gaspar como presidente da UEHP.

O relator do documento é, desta vez, o Dr. Paul Garassus, ex-presidente da UEHP, e também participaram na sua apresentação Guillaume Dedet, da OCDE, Miguel Amado, da EY e os vice-presidentes da UEHP Béatrice Noëllec e Cristian Hotoboc.

O relatório, que poderá ser consultado em www.uehp.eu, assume a existência de problemas transversais aos prestadores privados de cuidados de saúde na Europa, com destaque para o aumento geral de custos, a falta de recursos humanos e a instabilidade regulatória no setor.  “Os hospitais na Europa estão em crise. Crise de financiamento, crise no recrutamento, dificuldades no cumprimento das suas responsabilidades, mantendo a elevada qualidade na prestação de serviços.”, diz o documento.

O Factbook 2025 alerta ainda para “o perigo real de deterioração dos serviços de saúde”, destacando como um dos elementos mais críticos, a pressão sobre os recursos humanos no setor: “Por toda a Europa, a dificuldade de recrutamento de uma nova geração de profissionais de saúde está a colocar o sistema sob pressão. Em Itália e em Portugal, entre vários outros países, toda uma geração de profissionais vai reformar-se nos próximos dez anos, sem garantias de poderem ser substituídos”.

As referências concretas a Portugal não invalidam a identificação deste como um problema geral do setor a nível europeu e a conclusão é abrangente. “O risco da degradação de serviços devido à falta de pessoal e às dificuldades de financiamento é, infelizmente, uma realidade. Todos os setores da saúde estão afetados”, afirma o documento.

A hospitalização privada representa, atualmente, 42% de todas as camas hospitalares da Europa, agregando a UEHP mais de 6.000 hospitais e clínicas privadas. O setor da saúde — público e privado — é um dos maiores empregadores europeus, reunindo cerca de um milhão de médicos e 2,1 milhões de enfermeiros e técnicos de saúde.

Entre 2001 e 2019, o emprego no setor social e da saúde cresceu 24% nos países da OCDE, superando largamente o crescimento noutros setores da atividade económica europeia, contrastando com os 13% de acréscimo nos serviços, 6% na indústria e um decréscimo de 7% na agricultura.

Em relação ao panorama dos privados da Saúde em Portugal, o Factbook sublinha o crescimento do setor que representa já 33% da atividade hospitalar do país, reunindo 131 hospitais que, em 2023, foram responsáveis pela realização de mais de 9 milhões de consultas, 1,4 milhões de urgências e 257 mil cirurgias.

Entre os desafios que o setor privado da Saúde enfrenta, o documento destaca “a escassez dos profissionais de saúde, sobretudo médicos das várias especialidades hospitalares”, assim como “os investimentos significativos necessários para a transição digital e a cibersegurança”.

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