Segundas coberturas em saúde ganham peso na sustentabilidade dos sistemas ibéricos
A crescente adesão às segundas coberturas de saúde foi apontada como uma tendência estrutural em Portugal e Espanha durante o segundo painel da V Cimeira Ibérica de Hospitais Privados, dedicado ao papel dos seguros e planos de saúde na sustentabilidade dos sistemas nacionais.
Os responsáveis dos grupos HM Hospitals, Viamed Salud, Lusíadas Saúde e Trofa Saúde defenderam que estas soluções aliviam a pressão sobre os serviços públicos, melhoram o acesso aos cuidados e respondem às expectativas crescentes dos cidadãos quanto à rapidez, liberdade de escolha e qualidade assistencial.
Na dissertação de abertura do tema, Hermano Rodrigues, diretor da EY Portugal, já havia também mencionado que, em Portugal, «as segundas coberturas de saúde, nomeadamente os seguros de saúde, representam uma poupança anual próxima dos dois mil milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), através da redução da procura e da atividade assistencial. Apresentando um estudo desenvolvido pela EY sobre o impacto das segundas coberturas no sistema de saúde português, Hermano Rodrigues destacou o crescimento significativo dos seguros de saúde em Portugal, com o número de apólices a aumentar cerca de 25% entre 2019 e 2023, acompanhado por um aumento de cerca de 30% no número de pessoas seguras.
Ao longo do debate, os intervenientes sublinharam que o crescimento da procura resulta das dificuldades de financiamento dos sistemas públicos, do envelhecimento da população e da necessidade de maior acessibilidade aos cuidados. Contudo, alertaram que o atual modelo enfrenta novos desafios, como a possível estagnação do mercado segurador, o aumento dos custos operacionais, a escassez de profissionais de saúde e a necessidade de maior integração entre hospitais, seguradoras e Estado. Entre as prioridades identificadas estiveram a digitalização dos processos, o reforço da prevenção, a utilização da inteligência artificial, incentivos fiscais para alargar o acesso às coberturas complementares e a criação de modelos de financiamento capazes de garantir a sustentabilidade dos cuidados privados perante o envelhecimento da população.
«É possível criar modelos que antecipem necessidades e evitem sobrecustos muito significativos» afirmou Hermano Rodrigues, defendendo uma articulação mais forte entre todos os agentes do sistema para garantir sustentabilidade e acesso aos cuidados.

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