Hospitais privados ibéricos debatem telemedicina, financiamento e talento

Hospitais privados ibéricos debatem telemedicina, financiamento e talento

No próximo dia 18 de junho, a APHP e a congénere espanhola, a Alianza de la Sanidad Privada Española (ASPE) organizam, em Lisboa, no auditório do BPI, a quinta Cimeira Ibérica, que reunirá líderes do setor num encontro que promete ser um espaço de tensão construtiva em torno de três eixos críticos: tecnologia, financiamento e pessoas.

O primeiro painel colocará a telemedicina no centro do debate. Apesar do impulso dado pela pandemia, persistem questões estruturais: a interoperabilidade real entre sistemas, a segurança dos dados clínicos e, sobretudo, a desigualdade no acesso digital. A presença de hospitais portugueses e espanhóis poderá evidenciar diferenças regulatórias e níveis distintos de maturidade tecnológica, motivando a dúvida: estamos a construir um modelo sustentável ou apenas a expandir soluções de conveniência?

No segundo painel, discutir-se-á o crescimento das chamadas “segundas coberturas” em saúde, num contexto de pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde, aumento do número das apólices de seguros de saúde, bem como da despesa direta (‘out-of-pocket’) dos portugueses com saúde, que atinge os 29%, um dos valores mais elevados da OCDE.

O terceiro painel abordará um tema crítico: a escassez de profissionais. A competição entre público e privado, a mobilidade internacional e o desgaste acumulado pós-pandemia colocam em causa a sustentabilidade operacional das unidades de saúde. A questão central deixou de ser apenas atrair talento para passar a ser como reter, qualificar e motivar equipas num setor onde a exigência cresce mais rápido do que as condições.

O dia encerrará com a entrega do Prémio de Sustentabilidade da APHP, num momento simbólico, que pretende evidenciar que a sustentabilidade no setor da saúde é já uma prática integrada e não apenas mera retórica.

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