Hospitais Privados de Portugal e Espanha assinam Declaração de Lisboa

Hospitais Privados de Portugal e Espanha assinam Declaração de Lisboa

Os hospitais privados de Portugal e de Espanha assinaram, a 18 de junho, a Declaração de Lisboa, um documento conjunto que identifica as principais prioridades para o futuro dos sistemas de saúde e defende uma visão assente na colaboração, inovação e sustentabilidade.

Assinada no encerramento da 5.ª Cimeira Ibérica dos Hospitais Privados, organizada pela Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) e pela Alianza de la Sanidad Privada Española (ASPE), a Declaração reafirma o compromisso do setor privado com a melhoria do acesso dos cidadãos aos cuidados de saúde e com o reforço da capacidade de resposta dos sistemas de saúde dos dois países.

No documento, os hospitais privados ibéricos destacam cinco áreas prioritárias de atuação: a criação de um enquadramento regulatório estável e previsível para o desenvolvimento do setor; a valorização dos profissionais de saúde; a aceleração da transformação digital e da inovação; o reforço da complementaridade entre os setores público e privado; e a promoção de condições equitativas no contexto das políticas europeias de saúde.

Os hospitais ibéricos alertam para desafios comuns que afetam os sistemas de saúde, entre os quais a escassez de profissionais, o envelhecimento da população, o aumento da procura de cuidados, a necessidade de modernização tecnológica e as exigências crescentes de sustentabilidade financeira.

A Declaração de Lisboa reconhece o papel essencial dos hospitais privados na prestação de cuidados, na inovação, na investigação e na modernização tecnológica, sublinhando a importância de aproveitar plenamente todos os recursos disponíveis para responder aos desafios demográficos, tecnológicos e económicos que a Europa enfrenta.

Entre as prioridades identificadas está também a necessidade de desenvolver estratégias ambiciosas para atrair, formar, valorizar e reter profissionais de saúde, promovendo simultaneamente melhores condições de trabalho, equipas multidisciplinares mais integradas e novas competências associadas à digitalização e à Inteligência Artificial.

No domínio tecnológico, os hospitais privados de Portugal e Espanha defendem a aceleração da transformação digital, o desenvolvimento da interoperabilidade dos sistemas de informação, a proteção dos dados dos cidadãos e uma implementação responsável da telemedicina e das novas soluções digitais em saúde.

A Declaração enfatiza ainda que o futuro dos sistemas de saúde exige uma complementaridade efetiva entre os setores público e privado, capaz de melhorar o acesso aos cuidados, reduzir tempos de espera e desenvolver respostas inovadoras em áreas como a prevenção, a saúde mental, a telessaúde e a hospitalização domiciliária.

Os signatários apelam igualmente às instituições europeias para que promovam condições regulatórias equilibradas, reconheçam o contributo de todos os prestadores de cuidados de saúde e assegurem o acesso não discriminatório aos programas europeus de financiamento, inovação e modernização.

“A saúde é um dos mais importantes ecossistemas económicos da Europa. Investir em saúde não é uma despesa, é um investimento em capital humano, crescimento económico e resiliência social”, justificou o presidente da APHP, Oscar Gaspar.

O presidente da ASPE, José Manuel Baltar, afirmou, por sua vez, que “os grandes desafios sanitários já não conhecem fronteiras. Precisamos de respostas partilhadas para questões como a sustentabilidade dos sistemas, a escassez de profissionais ou a transformação tecnológica”.

O Secretário de Estado da Gestão da Saúde, Francisco Catalão, também presente na sessão de abertura, considerou que «os sistemas de saúde devem ser entendidos como ecossistemas onde coexistem o setor público, privado e social, reforçando a necessidade de cooperação entre todos os agentes» e que, também por isso, “a sustentabilidade não pode ser apenas um chavão. É a condição para garantir que a universalidade do acesso aos cuidados de saúde continue a existir para as próximas gerações”.

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