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Newsletter da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada
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09/2026
Hospitais Privados
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Procura-se parceiro para relação madura
Na lógica dos clusters e dos ecossistemas que Michael Porter há muito descreve, o segredo para um ecossistema funcionar é a interação entre as partes, sendo que os elos fortes só existem se e quando não houver fragilidade entre eles. Poderíamos designar este fenómeno como a sustentabilidade da eficiência e todas as estratégias de desenvolvimento devem aí apostar.
É certo que as relações nem sempre são entre iguais, há uns maiores do que outros, há quem tenha cadeias de interdependência mais fortes, há perspetivas e posicionamentos assumidamente distintos. Mas também há regras básicas e, já para não falar do âmbito pessoal ou da cordialidade, que se impõem por se entenderem mutuamente vantajosas como sejam o diálogo, o cumprimento das regras e o equilíbrio das posições. Em alguns domínios, a transparência e previsibilidade também são exigíveis.
Sou daqueles que acham que as parcerias não têm muitos adeptos em Portugal porque, em diversos momentos, o nível de desconfiança ultrapassa a defesa legítima dos interesses próprios e o espírito de cooperação, que deveria conduzir a que cada um atingisse os objetivos, fica subjugado no afã de garantir que o outro não sai ganhador.
Há muita gente a entender (entender mal, neste caso) que todas as relações são de soma nula e se alguém ganha é porque alguém perde. Há muito quem não perceba estratégias colaborativas e menos ainda que a prossecução de objetivos distintos pode ser reforçada com atuação partilhada.
Pode haver posições negociais muito duras - e cada parte é que deve conhecer os seus limites e a margem que tem - mas que ainda assim contribuam para uma evolução conjunta, que fortifica os termos dos cenários futuros.
Tenho dito nos últimos anos que a relação entre os hospitais privados e os seguros de saúde é uma relação simbiótica, com externalidades positivas diversas, seja para os cidadãos, seja para o sistema de saúde. Segundo os dados mais recentes do Observatório dos Seguros de Saúde, uma excelente iniciativa da ASF, já há 4,3 milhões de pessoas com seguro de saúde em Portugal. Os hospitais privados têm crescido em torno dos 7-8% ao ano e os seguros cresceram 23% nos últimos 3 anos. Tenho a certeza de que as negociações entre cada seguradora e cada prestador são duríssimas em cada ano, com muitas queixas de parte a parte, mas, na verdade, as seguradoras podem dizer que têm uma rede de prestação alargada e de excelência e os hospitais privados têm um potencial de mercado mais alargado.
Entre seguradoras e hospitais privados estamos no domínio do chamado b2b em que as partes se entendem ou não se entendem, mas assumem as responsabilidades pela negociação e, ainda que possam não o confessar, esta é a dinâmica que impele à eficiência e à sustentabilidade do sistema.
Quando falamos de determinadas entidades, que atuam invocando a autoridade do Estado, tudo muda de figura. Parece haver refúgio num silencio institucional que, quando quebrado, só tem comunicação unilateral e não considera quaisquer stakeholders. Nestas circunstâncias, podem fazer-se os mais diversos estudos de sustentabilidade e o excel, com a ajuda da inteligência artificial, dará excelentes resultados, mas circunscrito a um mundo de autarcia, que parece ser incapaz de apreender as dinâmicas do setor e de estabelecer uma estratégia de parceria e de desenvolvimento que a saúde dos cidadãos exige.
Voltando ao tema dos ecossistemas, e porque de saúde falamos, este é mesmo um tema que não deveria ficar circunscrito a qualquer tutela, mas que tem premência para ser visto à luz da cobertura que se pretende para a saúde dos portugueses. É, pois, essa relação madura que procuramos. Uma relação em que ninguém abdique dos seus interesses, das suas responsabilidades ou das suas diferenças, mas em que todos reconheçam que a saúde dos portugueses não se constrói em autarcia. Precisa de diálogo, previsibilidade, confiança e compromisso. Os hospitais privados estão disponíveis para essa relação.