Feedback
Newsletter da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada
102
07/2026
Hospitais Privados
• AGENDA •
• EDITORIAL
• ASSOCIADOS
• BISTURI
• FRASES DO MÊS
• É LEGAL
A APHP reuniu o seu Conselho Consultivo, no dia 9 de julho, em Coimbra, na SANFIL - Medicina, para analisar a evolução recente do sistema de saúde e discutir os principais dossiers estratégicos com impacto nos hospitais privados, como a escassez de profissio-nais de saúde, a necessidade de reformular os modelos de formação, a criação de novas competências profissionais, o acesso e a complementaridade.
Estiveram presentes Associados de várias regiões do país, o ex-presidente da direção José Lopes Martins, bem como dois convidados: o presidente da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra, Professor Graciano Paulo, e o presidente do Conselho Médico do gru-po Sanfil, Professor Adriano Rodrigues – também membro do conselho clínico da APHP.
Na abertura da sessão, o presidente do Conselho Consultivo da APHP, Pedro Marcelino, destacou que a falta de recursos humanos constitui um desafio transversal aos sistemas de saúde e recordou que os dados do Observatório Europeu dos Sistemas e Políticas de Saúde e da OCDE revelam um envelhecimento significativo dos profissionais de saúde em Portu-gal, com mais de 30% dos médicos e cerca de um quinto dos enfermeiros a terem mais de 55 anos - realidade que se estende também a várias profissões das tecnologias da saúde.
Perante este cenário, defendeu que Portugal deve analisar as experiências internacionais. Referiu os planos de longo prazo desenvolvidos no Reino Unido para formar, reter e refor-mar profissionais, as medidas implementadas em França para melhorar as condições de trabalho e aumentar a capacidade formativa, bem como a estratégia alemã de atração de profissionais estrangeiros. Em comum, salientou, está a flexibilização do reconhecimento de competências e a redistribuição de determinadas funções entre diferentes profissões da saúde.
Na sua intervenção, o Professor Adriano Rodrigues alertou para os obstáculos legais que atualmente impedem o reconhecimento, em Portugal, de competências já exercidas por profissionais noutros países. Considerou que qualquer transformação exigirá uma profunda revisão dos modelos de formação e da legislação, envolvendo médicos, enfermeiros e técni-cos superiores de saúde.
Entre as prioridades identificadas, destacou o papel crescente da inteligência artificial, que, na sua perspetiva, assumirá um papel determinante na interpretação de exames comple-mentares de diagnóstico, aumentando a rapidez e a eficiência dos cuidados sem substituir a validação clínica dos médicos.
O especialista defendeu igualmente uma maior valorização das competências dos técnicos superiores de saúde e dos enfermeiros, permitindo-lhes desempenhar funções já reconhe-cidas em vários sistemas de saúde europeus, sempre salvaguardando elevados padrões de qualidade e segurança.
Por sua vez, o presidente da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra e presiden-te da plataforma europeia EFRS/EURAMED, que representa mais de 20 mil profissionais da área da imagem médica e radioterapia, alertou para um cenário preocupante a nível euro-peu. Segundo explicou, diversos estudos desenvolvidos para a Comissão Europeia apontam para uma escassez sem precedentes de profissionais de saúde na próxima década, com alguns países a poderem perder até 60% da sua força de trabalho devido às reformas.
No caso português, sublinhou, o problema é agravado pela dificuldade em atrair profissio-nais estrangeiros e pela contínua emigração dos jovens altamente qualificados formados no país. “Portugal forma dos melhores profissionais da Europa, mas continua a exportar uma parte significativa desse talento”, referiu.
O professor também defendeu a necessidade de voltar a valorizar competências como a comunicação, a empatia e as ciências sociais na formação dos futuros profissionais de saúde, preparando-os para responder aos desafios de um sistema cada vez mais tecnológico sem perder a dimensão humana dos cuidados.
Durante o debate foi ainda lançado o desafio para que a APHP promova um grupo de traba-lho dedicado à evolução das competências profissionais, procurando construir soluções que envolvam todas as partes interessadas e que permitam introduzir mudanças de forma gra-dual, consensual e sustentada.
O Conselho Consultivo da APHP considerou que o envelhecimento da força de trabalho, o aumento da procura de cuidados e a escassez de profissionais tornam inevitável uma refle-xão nacional sobre a reorganização das equipas de saúde.
Numa outra vertente, diversos Associados reiteraram o alerta sobre o impacto significativo das recentes notificações da ADSE aos prestadores convencionados, tendo o Presidente da Direção informado, com base nos pareceres jurídicos recebidos, que a APHP iria inten-tar ação administrativa a requerer a declaração de ilegalidade das normas que sustentam o mecanismo das “regularizações” retroativas de faturação aplicado no âmbito do regime convencionado, bem como a cessação da sua aplicação.
Formação de profissionais de saúde domina Conselho Consultivo da APHP
Associação Portuguesa de Hospitalização Privada
Av. Luís Bívar, 36 – 1º Esq. 1050-145 Lisboa
+ 351 213 538 415