10 de Julho | 2017

Estudo da consultora Augusto Mateus & Associados

Sustentabilidade do sistema de saúde passa pela maior intervenção dos privados

O sector privado da saúde é cada vez mais relevante para a saúde dos portugueses, para a sustentabilidade do sistema de saúde e para o tecido empresarial nacional, sendo responsável por 79 mil empresas, 130 mil empregos e 5,7 mil milhões de euros de faturação anual. Esta é a principal conclusão do estudo “Setor Privado da Saúde em Portugal”, que a consultora Augusto Mateus & Associados realizou para o Millennium BCP, e que foi publicamente apresentado no dia 10 de Julho, na Fundação Bissaya Barreto, em Coimbra.

A consultora concluiu que, em Portugal, a par dos factores do sucesso da hospitalização privada, como «a reputação, a excelência clínica, a tecnologia, o preço e a satisfação do cliente», há particularidades do sistema de saúde que motivam o seu desenvolvimento: o desejo de maior conforto, por parte do cidadão, nos serviços de hospitalização; a rápida resposta aos doentes cirúrgicos; a conveniência no acesso a MCDTs de elevada qualidade; a incapacidade de resposta por parte do SNS; a relação win-win dinamizada com as sociedades de seguros, «que substituem progressivamente o Estado no financiamento das despesas em Saúde, sobretudo desde o início da crise económica».

Neste contexto, a Augusto Mateus & Associados defende a clarificação das funções do Estado enquanto acionista, financiador, regulador e prestador no contexto do SNS e sugere o fim das ambiguidades derivadas de sobreposições destas várias funções.

Os autores do estudo concluíram que a poupança de recursos e a efectiva sustentabilidade do sistema, que passa pela maior intervenção dos privados na saúde, terá de maximizar a satisfação dos doentes, «não só a qualidade intrínseca dos serviços que lhe são prestados, mas também o cuidado, simpatia e a personalização no atendimento, a dedicação prestada pelos profissionais de saúde, o design, conforto e layout das instalações, entre outros».

Reconhecendo a necessidade de haver em Portugal a transformação do volume-based healthcare em value-based healthcare, que pretende potenciar os melhores resultados (satisfação do doente) ao menor custo/preço, o estudo revela que o sector privado da saúde apresenta bons índices competitivos (mais favoráveis do que a generalidade das actividades económicas do país) e prossegue a sua expansão para o interior do país.

O estudo recomenda também que a hospitalização privada esteja atenta a todas as mudanças nas fontes de financiamento e incita-a a dar respostas mais abrangentes e eficazes aos desafios colocados pelo envelhecimento da população, pelo aumento da incidência de doenças crónicas e pelo ritmo elevado a que a inovação nas ciências da saúde e no digital ocorrem.

Os quatro maiores grupos da hospitalização privada portuguesa - cuja faturação ascendeu a 1.270 milhões de euros em 2014 - geraram um volume de negócios correspondente a cerca de 15% do sector privado da saúde, a 25% das atividades de prática médica com internamento e ambulatório e a 58% das atividades de prática médica com internamento.

Estudo - Sector Privado da Saúde em Portugal

Dissertação da APHP na apresentação do estudo