50% dos portugueses têm uma segunda cobertura de saúde

50% dos portugueses têm uma segunda cobertura de saúde

Oscar Gaspar

Presidente da APHP

In “Negócios”, de 14 de fevereiro de 2022

Nas últimas semanas e com os balanços de 2021 a serem feitos, foram divulgadas informações que dão conta de que há mais 5.157.000 de portugueses que têm uma segunda cobertura de saúde. Dito de outra forma, pela primeira vez 50% dos portugueses têm uma segunda cobertura de saúde.

De facto, os últimos números dão conta de um continuado crescimento muito forte dos seguros de saúde e também do alargamento dos beneficiários da ADSE, que mais do que compensa as anteriores reduções.

Por parte dos seguros há hoje em Portugal 3,3 milhões de portugueses que têm apólices do ramo de doença (em linguagem mais corrente, seguros de saúde) e estes dois anos que levamos de pandemia foram também aqueles em que se registou um crescimento inaudito dos seguros de saúde, que entre 2019 e 2021 crescem 22% no segmento de grupo (contratados por empresas no âmbito da relação laboral) e 38% no segmento individual (pessoas que, de moto próprio, decidem ter cobertura de seguro de saúde).

Também no caso da ADSE o ano de 2021 foi notável em termos do número de Beneficiários dado que foi legalmente aberta a possibilidade de adesão por parte de trabalhadores com contrato individual de trabalho (CIT`s) em instituições públicas. Este movimento levou a que cerca de 105 mil pessoas tenham aderido à ADSE sendo que, de acordo com informação oficial, é curioso (significativo?) que na sua maioria sejam colaboradores do SNS. Note-se que se prevê que se esta nova perspetiva dos CIT’s se alargar às autarquias locais deverá haver em breve mais 40 mil Beneficiários para a ADSE.

O conjunto destes desenvolvimentos leva a um retrato atualizado da cobertura de saúde em Portugal nos seguintes termos:

 

Estamos, portanto, perante uma realidade totalmente nova, com um número muito, muito substancial de portugueses que podem aceder à generalidade dos prestadores de saúde. Estamos a falar de cidadãos que valorizam os seguros de saúde que lhes são proporcionados pelas entidades patronais – e os seguros de saúde são mesmo o fringe benefit mais desejado – ou que procuram ativamente este produto para si e para as suas famílias.

Diga-se que ainda há um potencial significativo porque mais trabalhadores teriam seguro de saúde se tal lhes fosse proporcionado. Uma maior “democratização” dos produtos e a existência de coberturas mais amplas são, então, caminhos desejados.

Quando questionadas sobre as razões que as leva a subscrever seguros de saúde, as pessoas respondem com dois argumentos principais: acesso e liberdade de escolha. Dizendo de outra forma: as pessoas buscam uma solução que lhes garanta que, em caso de necessidade, tenham consultas de especialidade, exames de diagnóstico, cirurgias e tratamentos no tempo adequado e com os profissionais de saúde/hospitais que escolham.

A nossa responsabilidade enquanto hospitais privados é responder às necessidades e estar à altura da confiança que os portugueses em nós depositam e este foco traduz-se em investimentos, contratação de profissionais de saúde cada vez mais diferenciados, novos hospitais e clínicas, equipamentos mais modernos, acionamento dos meios digitais para diagnóstico e acompanhamento dos doentes, avaliação sistemática da satisfação dos doentes e da motivação dos colaboradores.

Como bem descreveu o Conselho de Finanças Públicas, “Portugal possui um sistema de saúde misto”. Olhar para os anseios e motivação dos portugueses é tão importante como equacionar conceptualmente as vias de reforçar a resiliência e a sustentabilidade do sistema de saúde, que todos defendemos, que o mesmo é dizer que a realidade deve ser a base para as reformas necessárias. Isto é seguro.

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